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Resumo da Tese de Doutorado:

“The Camutins Chiefdom: Rise and Development of Social Complexity on Marajó Island, Brazilian Amazon”

Autora:

Denise Pahl Schaan

Defendida em agosto de 2004, Departamento de Antropologia, Universidade de Pittsburgh, PA, USA, para obtenção do título de Ph.D. em Antropologia Social.

Título em português:

“O Cacicado dos Camutins: Emergência e Desenvolvimento de Complexidade Social na Ilha de Marajó, Amazônia Brasileira”

Resumo

A tese propõe um modelo ecológico-econômico para explicar a emergência de sociedades complexas na ilha de Marajó, a partir de um estudo de caso na bacia do rio Anajás, centro da ilha.  O modelo propõe que, em áreas de concentração de recursos aquáticos, o esforço combinado de vários grupos familiares teria levado à construção de barragens e lagos artificiais para optimizar a captura de peixes ao final da estação chuvosa.  Inicialmente realizado como atividade cooperativa, a grande oferta de alimento teria servido como estímulo e oportunidade para a criação de mecanismos de controle sobre o excedente, levando à estratificação social.  O acesso aos recursos, a partir daí, teria sido dominado por uma economia política, em que o controle de rituais e o desenvolvimento de um sistema ideológico religioso apareceu como forma de legitimar os grupos no poder. O estudo ainda propõe uma cronologia para a emergência, desenvolvimento e declínio da chamada fase marajoara. A originalidade do trabalho está na proposta de que uma economia forrageira teria sido a base para o desenvolvimento de complexidade social, criticando a associação tautológica que geralmente é feita entre agricultura intensiva e sociedades complexas.

A tese é dividida em oito capítulos. O primeiro capítulo, intitulado “A arqueologia da complexidade social na Amazônia” revisita o debate acadêmico sobre complexidade social nas terras baixas amazônicas, especialmente no que tange à sua associação com agricultura intensiva. Em um segundo momento, define cacicados pela sua estrutura sociopolítica, seguindo Carneiro (1981), ressaltando, porém, que a economia deve ser parte fundamental das análises sobre complexidade social, uma vez que somente a produção de excedente poderia possibilitar o controle político de um grupo sobre outro. Nesse capítulo desenvolve-se toda a argumentação teórica do modelo proposto.

No segundo capítulo, intitulado “A ecologia dos cacicados marajoaras”, são examinados os dados fisiográficos e ecológicos da ilha, com base na literatura disponível e observações da autora. Padrões de subsistência relatados durante o período colonial e observados na atualidade são discutidos para inferir as possibilidades de produção de alimentos na época pré-cabralina.  O artigo conclui que a pesca intensiva e a coleta de frutos e plantas silvestres e domesticadas formariam a base da alimentação, o que encontra eco também nas pesquisas de Roosevelt (1991).  Fonte de carboidratos poderia ter sido a mandioca, mas também é sugerido o amido de buriti, a partir da argumentação desenvolvida por Meggers (2001). 

As investigações anteriores são discutidas no terceiro capítulo, sob o título: “Investigações prévias e problemas de pesquisa”.  Aqui é priorizado um entendimento histórico-cronológico da ocupação apesar de se basear nos dados disponíveis que dividem a ocupação em fases cerâmicas.  A autora vai buscar nos relatórios de campo e artigos publicados aquelas informações sobre os padrões de assentamento e sobre a inserção dos sítios na paisagem, o que em geral era pouco enfatizado nas pesquisas anteriores. Propõe que existe uma continuidade entre a fase marajoara e as anteriores, e que assentamentos da fase formiga, que já mostram a construção artificial de mounds (teso é o nome local utilizado em português), demonstrariam um processo de conhecimento da ecologia e os passos iniciais das atividades de manejo que se desenvolveriam plenamente durante a fase marajoara.
A cronologia de ocupação proposta é apresentada e discutida no quarto capítulo, sob o título: “Mudança cultural: uma cronologia”.  Aqui a autora expõe os dados de cinco anos de pesquisas em nove sítios do rio Anajás, onde foram encontrados sítios pertencentes a diferentes períodos e fases, possibilitando um estudo integrado e regional de mudança cultural. A autora divide a fase marajoara em quatro períodos: incipiente (70 a.C. a 400 d.C.), expansionista (400 a 700 d.C.), clássico (700 a 1100 d.C.) e declínio (1100 a 1300 d.C.).  Sítios posteriores à fase de declínio, mas que ainda apresentam ocasionalmente cerâmica de estilo marajoara são assignados à fase Cacoal (1300 – 1600 d.C.).  Diferentemente da concepção de fase vigente durante o PRONAPA, programa orientado segundo o modelo histórico-cultural, no entanto, a fase Cacoal é definida por seus padrões de ocupação do espaço e por sua organização sociopolítica, não pela cerâmica, que varia nos sítios estudados.

A pesquisa arqueológica no sítio/cacicado dos Camutins é descrita no quinto capítulo, intitulado: “Investigações ao longo do rio Camutins”. O capítulo explica as razões para a escolha do sítio, delineia as hipóteses e objetivos da pesquisa e inicialmente trata da análise espacial do sítio. A distribuição dos tesos é estudada tendo em vista tamanho e funcionalidade dos assentamentos e são propostas hipóteses quanto à evolução do sistema de assentamento. A autora propõe que os tesos se dividem em dois tipos principais – cerimonial e habitação – correspondendo a duas castas sociais: elite e comuns.  A identificação de modificações na paisagem, principalmente grande escavações junto aos tesos principais da elite denotaria controle sobre sistemas de manejo hidráulico. Com base no entendimento de que a área nuclear do cacicado estava localizada no curso inferior do rio, a pesquisa centrou-se principalmente nos dois maiores tesos que, hipoteticamente, representariam o primeiro e segundo na hierarquia administrativa.  A pesquisa, no entanto, acaba por demonstrar que as diferenças observadas entre estes dois tesos não são hierárquicas, mas complementares.  As escavações investigam estruturas funerárias, domésticas e construtivas.  Os dados permitem construir uma cronologia da ocupação e arriscar hipóteses sobre o tempo necessário para construção dos tesos e a demografia do cacicado.

O sexto capítulo: “Produção e uso de artefatos cerâmicos” analisa a cerâmica encontrada no sítio em termos quantitativos e qualitativos.  O sistema de classificação utiliza em um primeiro momento a tipologia construída por Meggers e Evans (1957), mas também uma outra classificação baseada em vasilhas reconstruídas hipoteticamente a partir de fragmentos, baseando-se na sua funcionalidade. São propostas três classes distintas: vasilhas para preparação de alimentos, vasilhas para servir e vasilhas para líquidos e estocagem. O capítulo é encerrado com uma discussão sobre especialização, o papel das festas e a hierarquia entre os tesos, com base nos artefatos analisados.  Conclui-se que a cerâmica era produzida em cada teso, em contextos domésticos, e que não havia oficinas especializadas.

“Iconografia e simbolismo religioso” é o tema do sétimo capítulo, onde a iconografia das urnas funerárias é discutida, tendo em vista a proposição de que os motivos decorativos informariam sobre a identidade do falecido.  A uniformidade da iconografia encontrada no teso 17 é tida como indicando ali a presença de uma mesma linhagem, enquanto que no teso 1 haveria maior variabilidade, com afluência de esposos/esposas de outros cacicados. A representação recorrente de cobras é interpretada a partir de sua relação mitológica com os recursos aquáticos, base da sociedade marajoara.

No oitavo e último capítulo encontra-se o “Sumário e conclusões”, onde a autora resume as principais características do cacicado Camutins, que sugere como modelo para entender outros cacicados da ilha: uma sociedade hierárquica e estratificada, dividida em nobres e comuns, com economia baseada na pesca intensiva, poder nas mãos de uma linhagem que se colocava como descendente de deuses, utilização da ideologia e controle sobre a religião para justificar a estratificação social, mobilização de trabalho para a construção das obras de controle hidráulico, especialização do trabalho não muito desenvolvida, mas tendo por base gênero, idade e posição social; guerra, competição, trocas e alianças de casamento teriam caracterizado as relações entre os cacicados.

Ao final, a autora sugere que o modelo desenvolvido para entender o registro arqueológico na ilha de Marajó poderia ser testado em outras áreas da Amazônia, onde vê o mito da agricultura intensiva como correlata de cacicados complexos ser aceito sem muitas bases.  Propõe que futuras pesquisas deverão examinar outros cacicados marajoaras para testar o modelo, entender melhor as relações entre eles e estabelecer uma cronologia válida para toda a ilha.

A pesquisa que deu origem à tese foi financiada pela National Science Foundation (Grant nº 0233788) e Earthwatch Institute. A autora recebeu bolsa do CNPq e da Fundação Heinz, através do Departamento de Antropologia da Universidade de Pittsburgh.  A tese possui 481 páginas, entre as quais encontram-se 36 tabelas e 164 figuras. A tese original pode ser acessada através do link: http://etd.library.pitt.edu/ETD/available/etd-08182004-002851 ou buscando o link “artigos” no site www.marajoara.com.

 

Bibliografia citada

Carneiro, R. L. 1981. The chiefdom: precursor of the state. In: Jones, G. & Kautz, R. (Org.). 1981. The transition to statehood in the New World. Cambridge, Cambridge University Press, pp. 37-79.
Meggers, B. J. 2001. The mystery of the Marajoara: an ecological solution. Amazoniana XVI(3/4):421-440.
Meggers, B. J., & Evans, C. 1957. Archeological investigations at the mouth of the Amazon. Vol. Bulletin 167. Washington, D.C., Smithsonian Institution Bureau of American Ethnology, U.S. Govt. Print. Off.
Roosevelt, A. C. 1991. Moundbuilders of the Amazon: geophysical archaeology on Marajo Island, Brazil. San Diego, Academic Press.

 

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