As Divinas Palavras
Liatiff, Aldo. As divinas palavras: Identidade
étnica dos Guarani-Mbyá. Editado por la Universidad Federal de Santa
Catarina -UFSC- Florianópolis, Brasil, 1996. 160p.
El autor Nació en Río de Janeiro en el año 1958. Graduado en Filosofía
en 1986 por la UFSC, obtuvo cinco años después su Maestría en Antropología
Social. Como fotógrafo realizó diversas exposiciones fotográficas
sobre los Guaraní de Brasil. Actualmente trabaja como antropólogo
en el Museo Universitario de la UFSC.
Editora da UFSC
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88010-970 - Florianópolis - SC Brasil
Por Sílvio Coelho dos Santos
Escrito como dissertaçao de mestrado, este livro oferece uma importante
contribuiçao para o entendimento do universo dos Guarani-Mbyá. Seu
autor, Aldo Litaiff, teve experiência profissional como fotógrafo
e formaçao acadêmica na área de Antropologia. Durante o curso de
mestrado realizado na UFSC, dedicou-se à Etnologia e aos Guarani-Mbyá.
Escolheu um pequeno grupo que recém havia se localizado no litoral
do estado do Rio de Janeiro, numa pequena area incrustrada na Serra
do Mar. Talvez por obra do acaso, Aldo Litaiff percorreu uma parte
da trajetória de Egon Schaden, um dos pioneiros dos estudos antropológicos
sobre os Guarani, que também elegeu pequenos grupos Mbyá, no litoral
de Sáo Paulo, para suas pesquisas. E o fez, com sucesso e originalidade.
Sua sensibilidade como profissional da fotografia, náo só orientou
a inclusáo de uma documentaçâo fotográfica de excepcional valor
etnográfico, como permitiu-Ihe incorporar depoimentos de diferentes
informantes que mais parecem descriçoes textuais de closes e de
ampliaçoes de detalhes fotográficos.
Os Cuarani-Mbyá têm uma longa experiência de resistência à dominaçao
branca. Habitantes tradicionais da floresta, esses índios, no presente,
começaram a adquirir maior visibilidade pelas lutas que travam para
assegurar pequenas áreas de terra, que lhes permitam manter pelo
menos, parte de seu modo de vida. Algumas famílias extensas têm
logrado o apoio de organizaçoes nao-governamentais, de governos
municipais e da própria FUNAI para lhes assegurar o acesso a uma
ínfima parcela das terras que outrora eram suas. Mas, em geral,
como sao índios que usam calça e camisa, aparecem para a maioria
dos interlocutores de forma estereotipada, ou seja, como sujos,
bêbados, malandros e, assim, desqualificados para pleitearem quaisquer
direitos. A procura da "terra sem males", localizada no
imaginário dos Guarani, para além do Atlântico, por si nao minimiza
as responsabilidades dos brancos sobre os poucos espaços territoriais
que sobraram para esses índios. A perambulaçáo desses índios, organizados
em pequenos grupos familiais, por estradas e ródovias do Sul e Sudeste
do país, é uma face trágica dessa diáspora. O que Aldo Litaiff faz
com mestria é mostrar a dignidade desses índios, destacando sua
visáo de múndo, sua cosmologia e suas representaçoes étnicas. Com
esse escopo, muita sensibilidade e comprometimento, dá-nos uma descriçao
polissêmica, densa e realista dos Mbyá, da aldeia Bracuí, contribuindo
assim para a melhor compreensao dos problemas vivenciados pelos
índios, enquanto minoria no Brasil presente.
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