TECNOCULTURA
CYBERSEX ou O OUTRO NO PANVIRTUALISMO
Márcia Vitari
A aproximação dos milênios é sempre
fonte de especulações. O desaparecimento das referências, o declínio dos valores
tradicionais, a emergência de um individualismo autocentrado e narcísico, as
vertiginosas transformações tecnológicas todo esse mal-estar fin-de-siècle
atordoou e desorientou o homem pós-moderno, ruindo as bases de sua confiança,
gerando inquietações.
No
campo da ciência e tecnologia, com seus avanços reais e potenciais e sobretudo
quando se pensa na extensão quase ilimitada de seus efeitos sobre a natureza
humana não há mais lugar para álibis, se é que já houve, do tipo neutralidade
científica e ingenuidade ética. Qualquer gesto de um cientista ou de um técnico
traz em si o livre arbítrio de poder caminhar para um lado ou para o outro,
para o bem ou para o mal.
A
cada dia um novo setor, uma nova tecnologia, uma descoberta genética ou uma
invenção científica tornam indispensáveis novas regras de conduta profissional.
Entre as novidades boas e más trazidas pela globalização está a certeza de que
do ponto de vista de seu destino não há mundos estanques para o homem pós-moderno.
O seu futuro sobre a aldeia global vai depender da capacidade de estabelecer
prescrições e interdições para conter a destruição e o mal que ele próprio criou,
voluntariamente ou não, por meio de seu engenho e arte.
Diante desse Admirável Mundo Novo, as relações de
troca se viabilizam em outras bases. A regra parece ser extrair dos contatos
e das relações que se estabelecem o máximo de produtividade e de conhecimento
válidos para um determinado instante. É uma manifestação exacerbada do que o
sociólogo Anthony Guiddens chama de relacionamento puro:[1]as
relações perduram enquanto os envolvidos estiverem delas tirando proveito. Assim,
as ligações são efêmeras, pontuais, quando há intersecção de desejos ou de interesses.
Só que os interesses, num meio que instiga em cada um a vontade de interatividade
e de democracia, são mutáveis o tempo inteiro. E, para que a navegação
continue com prumo, realizando reitificações necessárias ao gozo desbussolado
desses dias, novos Outros devem surgir para suprir as necessidades mais atuais.
Nas salas de chat salas virtuais de bate-papo da Internet,
torna-se mais claro que o conhecer o outro é, na verdade, conhecer a si mesmo
por intermédio dele. Poderíamos citar o narcisismo, o fetiche, a perversão,
como tantos outros sintomas que tem na rede um local privilegiado de dissiminação
e desenvolvimento. A influência do anonimato apresenta-se aí como parceiro e
incentivador de fantasias e fantasmas. O sujeito que busca o desejo do outro
como o seu desejo, quer uma fusão com o outro, que é impossível.
O
virtual serve a essa compreensão narcísica, porque como estratégia que suspende
os limites do tempo/espaço, não tem compromisso com as leis estabelecidas por
Arquimedes. O espaço no virtual pode ser fundido ou disperso, assim como as
matérias.
O virtual exposto a idéia de ser muitos, desconstrói o espaço da unidade,
estabelece a diversidade porque permite o estabelecimento de muitos pontos de
vista, fazendo com que o juízo estabelecido não tenha o caráter de absoluto
e intransigente. A estética que se desenha é caleidoscópica.
Estaríamos vivendo uma espécie de reencantamento do mundo
onde a cibercultura é fruto deste encontro entre a tecnologia de ponta e o vitalismo
social que toma corpo neste fim de século, com emoções imbricadas numa sociedade
de urgências, intermediada por um tipo de comunicação intensa em velocidade
e nem sempre sustentável em conteúdo; onde muitos estereótipos são encontrados
e repetidos durante as conversas de chat, a maioria enaltecendo o caráter
positivo das pessoas. A narrativa acontece quase sempre num cenário em que circulam
nervosas trocas de vivências, demarcadas por afetos construídos em bases frágeis
e zonas de sombra. Raramente aparecem momentos em que se discutem defeitos ou
problemas que as pessoas acreditam possuir. Segundo Ciro Marcondes Filho,[2]
O emaranhar-se em mundos virtuais, a fixação nas conversas online,
o caminhar tecnocrático por ambientes depurados da realidade virtual não sabem
onde pôr e nem têm o que fazer com nossas frustações, nossa impotência diante
do poder. Não apresenta saída para a solidão existencial, não informa como excluir
o desespero, a indignação, o mal-estar nesta cultura e nas futuras que virão.
Nos deparamos com o sujeito encastelado em si mesmo e que prescinde
do outro. O sujeito constitui-se impermeável ao outro e ao mundo e tem
para si a idéia de que pode bastar-se a si mesmo.
A maneira de impermeabilidade tem duas formas, em função da relação
que o sujeito estabelece com o outro: o orgulho e a inveja; e o autismo
socialmente aceito.
Para a primeira forma, o orgulho, temos sua base em Spinoza. O orgulho
para ele é uma afecção onde o sujeito tem uma opinião mais vantajosa de si
mesmo do que o justo. Prescinde da opinião do outro e da própria convivência.
Impermeável a qualquer fato do mundo e do outro que questione a sua própria
imagem estabelece com o outro uma relação em que quer a bajulação. Ou seja,
que o outro reconheça nele o que ele reconhece.
LOrgueilleux aime la présence des parasites ou des
flatteurs mais il hait celle des esprits généreux.[3]
Aos bajuladores e parasitas é concedido o direito à relação, porque
são os alimentadores da impermeabilidade e deste olhar totalizante em que o
sujeito basta-se a si mesmo.
O ódio à ausência de unidade é o que provoca esta atitude porque o
sujeito experimenta sempre um desconforto insuportável quando qualquer coisa,
fato ou pessoa exponha esta condição, a de que não é um. O sujeito que experimenta
essa maneira orgulhosa tem no outro uma confirmação de que o que pensa e sente
de si mesmo é a verdade.
La concorde est encore engendrée para
la flatterie, mais avec lignominie de la servitude ou de la perfidie; car nul
nest plus conquis par la flatterie que lorgueillleux Qui veut être le premier
et ne lest pas.[4]
Aqueles que não confirmam esta auto-imagem são desprezados por ele,
ou porque ou são ignorantes e não o conhecem, ou porque tem algum tipo de interesse
destrutivo ou de qualquer outra espécie. A sensação dessa pseudo-unidade é tão
intensa que o sujeito desenvolve um filtro que o confirma como pensa e sente
que é.
A inveja como uma outra forma da maneira de impermeabilidade da totalização,
será pensada segundo o que definiu Spinoza pela idéia de que o sujeito tem de
si mesmo como absolutamente fraco, incapaz e impotente, e que o outro porque
é forte, capaz e potente, deve transformar-se para estar na mesma condição do
sujeito, e assim ser um igual.
LEnvie est la Hainde en tant quelle affecte lhomme
de telle sorte quil sattriste du bonheur dun autre est se réjouisse, au contraire,
du malher dun autre.[5]
A impermeabilidade do invejoso deve-se ao fato de que ele não suporta
no outro a diferença de sua auto-imagem. Como tem, de maneira absoluta, uma
compreensão negativa de si mesmo, tudo e todos são motivos de inveja. O invejoso
é impermeável ao mundo, que sempre e em qualquer condição será melhor do que
ele.
A inveja regojiza-se quando o outro está na mesma condição que o
sujeito pensa e sente de si. Como sua auto imagem é de impotência, quer e exige
do outro esta mesma situação. A sua impermeabilidade está em não conseguir suportar
no outro qualquer condição que não seja a de que ele transforme-se num pretenso
igual. É impermeável à generosidade, ao afeto descompromissado, aos atos de
inteligência, à beleza. Sua única e pobre ação no mundo é torcer o outro para
sua pobreza e miséria.
A outra forma da maneira da impermeabilidade denominamos de autismo
socialmente aceito. A principal característica dessa maneira é a separação
que idealmente o sujeito promove entre fora e dentro. A experiência subjetiva,
e aí encontra-se o prazer na fantasia, na imaginação e no próprio ato de pensar,
é considerada tão excepcionalmente boa que tudo e todos podem ser transferidos
para esse lugar.
Essa experiência não se encontra no lugar da psicose. Tem
o seu apoio fundamental nos instrumentos tecnológicos disponíveis. O folhetim
romântico possibilitou a muitas mulheres o desenvolvimento de uma expectativa
nas relações com os homens que mesclando vigor e dependência[6],
estipulava um ideal de felicidade a ser encontrada. A comunicação pela Internet,
com sujeitos que podem assumir qualquer identificação, história e personalidade,
é um apoio também fundamental para essa maneira.
O que caracteriza fundamentalmente esta forma é o hiato entre o fora
e o dentro. Sua impermeabilidade está estabelecida no juízo de que este mundo
criado pela fantasia, pela imaginação é potencialmente melhor do que o que realmente
existe. Assim a experiência ficcional é traduzida como fato que, se não ocorre
na experiência, e assim provoca frustação, é porque o outro, co-protagonista
dessa estória, não foi o escolhido adequadamente para vivenciar e experimentar
esse papel.
A impermeabilidade desenvolve-se em uma flutuação entre a frustração
e a esperança. Encontrar o personagem certo para a estória a ser repetida na
vida.
Spinoza vai relacionar a esperança com o medo, dizendo que
não há um sem o outro.
Il suit de ces définitions quil ny a pas dEspoir
sans Crainte ni de Crainte sans Espoir. En effet, celui qui este en suspens
dans lEspoir et incertain quant à lissue dun événement, est supposé emaginer
quelque chose qui exclut lexistence dun événement futur; dans cette mesure
il est attristé (par la Prop. 19) et par conséquent, pendant quil est suspendu
à lEspoir, il craint que lévénement ne se produise pas. Celui Qui, au contraire,
est dans la Crainte, cest-à-dire incertain quant à lavenir dune chose quil
hait, imagine aussi quelque cause qui exclut lexistence de cette chose; et
ainsi, dans cette mesure, il se réjouit (par la Prop. 20), et il par là un Espoir
que lévénement ne se produise pas.[7]
O medo de ser frustado e a esperança caminham juntos. A impermeabilidade
traduz-se na incerteza de que o sujeito possa encontrar o personagem adequado
para co-protagonizar a estória, mas essa incerteza nunca se volta para a estória
idealizada que constituiu.
Assim sendo aproxima-se do autismo, que segundo a definição
de Tustin (1975)[8]é :
Traduzido literalmente, autismo significa viver em termos
do próprio eu (self), o que está de acordo com o fato, por demais constatado,
de que uma criança em estado de autismo parece centrada em si mesma, já que
pouco reage ou responde ao mundo que a rodeia. Mas, paradoxalmente, uma criança
nesse estado não se dá conta, em verdade, do que ser um eu (self) significa.[9]
Ou, nas palavras de Freud, em uma citação feita por Tustin:
O ovo de um pássaro, contendo em si toda a matéria nutritiva
necessária ao novo ser... é um exemplo claro de um sistema psíquico fechado
aos estímulos do mundo externo e capaz de satisfazer, autisticamente, até suas
necessidades alimentares.[10]
Denominamos esta forma de impermeabilidade de autismo socialmente
aceito por conta, em primeiro lugar, dessa característica de considerar-se
inteiramente auto-suficiente, por isso o termo autismo; em segundo lugar por
utilizar-se para tal de apoio em instrumentos tecnológicos que estão disponíveis
socialmente, o que lhe confere uma aceitabilidade social[11].
A aceitação social não se reduz ao uso exclusivo desses instrumentos tecnológicos;
mas, ao usá-los desta maneira, não provocam escândalos nem se sofre rejeição
social.
A cultura do individualismo permite, e até estimula, que
o sujeito alcance o prazer da maneira que lhe convier. Esta impermeabilidade
faz com que o sujeito tenha com o outro uma relação em que o escolhe para
o papel de co-protagonista de sua estória, ou que em uma expressão solitária
encontre este co-protagonista de uma maneira impessoal. A oferta estabelecida
pela mídia desses co-protagonistas é imensa, excessiva e abundante.
O virtual pode servir a esta maneira de impermeabilidade nas suas diferentes
formas. O virtual é uma estratégia do indivíduo e por isso solitária. Ao sujeito
que tem esta atitude de impermeabilidade o virtual fornece, por ser uma estratégia
individual uma pseudo-coerência para a potencialização dessa atitude.
No entanto, esta atitude não está no virtual e tampouco é gerada por
ele. Essa atitude encontra-se no âmbito do atual, provocada por diversos e múltiplos
agentes e forças que procuramos reconhecer. A tensão entre o virtual e o atual,
ou seja, entre o virtual que é uma estratégia do indivíduo e essa atitude, que
se encontra no atual, faz com que o virtual seja um potencializador dessa atitude,
fazendo-a permanecer e crescer, ou seja, ser eficaz.
O efeito totalizante vincula-se fundamentalmente à idéia de que a ausência
de unidade do sujeito deve ser, de alguma maneira, superada. Porque provoca
um desconforto no indivíduo, em um contínuo atraiçoamento de sua previsão de
si mesmo, o efeito totalizante busca uma totalidade interna, subjetiva, para
superar o desconforto que sente e percebe.
Como o outro é um denunciador dessa não unidade, o indivíduo busca
também a totalização para evitar que esta ausência de unidade aconteça. As atitudes
autoritárias e as de impermeabilidade são possibilidades deste acontecimento.
O virtual vem assim como um elemento potencializador dessa atitude.
Porque é uma estratégia para a criatividade que não tem, em si, um componente
ético, porque possibilita a reconstrução de sua história e a da humanidade,
conferindo um sentido àquela atitude; e porque permite, pela sua artificialidade
dessubstanciada, lidar de uma ou outra maneira com a sensação de mal-estar.
Deleuze (1974)[12], em comentários sobre o Robson
Crusoé de Michel Tournier, a partir de uma pergunta especulativa sobre o que
ocorreria se faltasse outrem na estrutura do mundo, diz que:
Só reina a brutal oposição do sol e da terra,
de uma luz insustentável e de um abismo escuro: a lei sumária de tudo ou nada.
O sabido e o não sabido, o percebido e o não percebido enfrentam-se em termos
absolutos, num combate sem nuanças. (...) Mundo cru e negro, sem potencialidades
nem virtualidades: é a categoria do possível que se desmoronou.[13]
Para Deleuze, Outrem é que permite o possível. Não se reduz nem a um
objeto particular, nem a um outro sujeito. Outrem estrutura o campo perceptivo
e permite que ele seja organizado, assegurando as margens e as transições
no mundo.
Mas outrem não é nenhum objeto no campo de
minha percepção, nem um sujeito que me percebe: é, em primeiro lugar, uma estrutura
do campo perceptivo, sem a qual este campo no seu conjunto não funcionaria como
o faz. Que esta estrutura seja efetuada por personagens reais, por sujeitos
variáveis, eu para vós e vós para mim, não impede que ela preexista como condição
de organização em geral ao termos que a atualizam em cada campo perceptivo organizado
o vosso, o meu. Assim, Outrem a priori como estrutura absoluta, funda a
relatividade de outrem como termos efetuando a estrutura em cada campo. Mas
qual é esta estrutura? É a do possível.[14]
Se Outrem é esta estrutura que constitui o campo de percepção e o possível,
é outrem que confere expressão a ele.
o mundo possível expresso existe perfeitamente, mas não
existe (atualmente) fora do que o exprime. (...) Quando apreendo, por minha
vez e por conta própria, a realidade do que outrem exprimia, não faço nada mais
do que explicar outrem, desenvolver e realizar o mundo possível correspondente.
É verdade que outrem já dá uma certa realidade aos possíveis que envolve: falando,
precisamente. Outrem é a existência do possível envolvido.[15]
A estrutura Outrem, pacifica a profundidade do homem, permitindo-a
de ser vivida.
Neurose e psicose são a aventura da profundidade.
A estrutura Outrem organiza a profundidade e pacifica-a, torna-a possível de
ser vivida.[16]
Pois, se Outrem exprime um mundo possível, este existe em nosso mundo,
constituído em acordo com a ordem do real e do tempo seqüencial.
Pois outrem, no seu funcionamento normal,
exprime um mundo possível; mas este possível existe em nosso mundo e, se não
é desenvolvido ou realizado sem mudar a qualidade de nosso mundo, ele o é, pelo
menos, segundo leis que constituem a ordem do real em geral e a sucessão do
tempo.[17]
Deleuze, considerando a perversão no sentido psicanalítico, especialmente
como foi formulada por Lacan, diz que um mundo sem Outrem é um mundo sem possíveis
e que a perversão é um assassinato dos possíveis.
O mundo do perverso é um mundo sem outrem,
logo, um mundo sem possível. Outrem é o que possibilita. O mundo perverso é
um mundo em que a categoria do necessário substitui completamente a do possível:
estranho spinozismo em que falta o oxigênio, em proveito de uma energia mais
elementar e de um ar rarefeito (o Céu-Necessidade). Toda perversão é um outremcídio,
um altruícido e, por conseguinte, um assassínio dos possíveis. Mas o altruicídio
não é cometido pelo comportamento perverso, mas sim suposto na estrutura perversa.[18]
A maneira de impermeabilidade tem duas formas, em função da relação
que o sujeito estabelece com o outro: o orgulho e a inveja; e o autismo
socialmente aceito.
Para a primeira forma, o orgulho, temos sua base em Spinoza. O orgulho
para ele é uma afecção onde o sujeito tem uma opinião mais vantajosa de si
mesmo do que o justo. Prescinde da opinião do outro e da própria convivência.
Impermeável a qualquer fato do mundo e do outro que questione a sua própria
imagem estabelece com o outro uma relação em que quer a bajulação. Ou seja,
que o outro reconheça nele o que ele reconhece.
LOrgueilleux aime la présence des parasites ou des
flatteurs mais il hait celle des esprits généreux.[19]
Aos bajuladores e parasitas é concedido o direito à relação, porque
são os alimentadores da impermeabilidade e deste olhar totalizante em que o
sujeito basta-se a si mesmo.
O ódio à ausência de unidade é o que provoca esta atitude porque o
sujeito experimenta sempre um desconforto insuportável quando qualquer coisa,
fato ou pessoa exponha esta condição, a de que não é um. O sujeito que experimenta
essa maneira orgulhosa tem no outro uma confirmação de que o que pensa e sente
de si mesmo é a verdade.
La concorde est encore engendrée para
la flatterie, mais avec lignominie de la servitude ou de la perfidie; car nul
nest plus conquis par la flatterie que lorgueillleux Qui veut être le premier
et ne lest pas.[20]
Aqueles que não confirmam esta auto-imagem são desprezados por ele,
ou porque ou são ignorantes e não o conhecem, ou porque tem algum tipo de interesse
destrutivo ou de qualquer outra espécie. A sensação dessa pseudo-unidade é tão
intensa que o sujeito desenvolve um filtro que o confirma como pensa e sente
que é.
A inveja como uma outra forma da maneira de impermeabilidade da totalização,
será pensada segundo o que definiu Spinoza pela idéia de que o sujeito tem de
si mesmo como absolutamente fraco, incapaz e impotente, e que o outro porque
é forte, capaz e potente, deve transformar-se para estar na mesma condição do
sujeito, e assim ser um igual.
LEnvie est la Hainde en tant quelle affecte lhomme
de telle sorte quil sattriste du bonheur dun autre est se réjouisse, au contraire,
du malher dun autre.[21]
A impermeabilidade do invejoso deve-se ao fato de que ele não suporta
no outro a diferença de sua auto-imagem. Como tem, de maneira absoluta, uma
compreensão negativa de si mesmo, tudo e todos são motivos de inveja. O invejoso
é impermeável ao mundo, que sempre e em qualquer condição será melhor do que
ele.
A inveja regojiza-se quando o outro está na mesma condição que o
sujeito pensa e sente de si. Como sua auto imagem é de impotência, quer e exige
do outro esta mesma situação. A sua impermeabilidade está em não conseguir suportar
no outro qualquer condição que não seja a de que ele transforme-se num pretenso
igual. É impermeável à generosidade, ao afeto descompromissado, aos atos de
inteligência, à beleza. Sua única e pobre ação no mundo é torcer o outro para
sua pobreza e miséria.
A outra forma da maneira da impermeabilidade denominamos de autismo
socialmente aceito. A principal característica dessa maneira é a separação
que idealmente o sujeito promove entre fora e dentro. A experiência subjetiva,
e aí encontra-se o prazer na fantasia, na imaginação e no próprio ato de pensar,
é considerada tão excepcionalmente boa que tudo e todos podem ser transferidos
para esse lugar.
Essa experiência tem o seu apoio fundamental nos instrumentos
tecnológicos disponíveis. O folhetim romântico possibilitou a muitas mulheres
o desenvolvimento de uma expectativa nas relações com os homens que mesclando
vigor e dependência[22], estipulava um ideal de felicidade
a ser encontrada. A comunicação pela Internet, com sujeitos que podem assumir
qualquer identificação, história e personalidade, é um apoio também fundamental
para essa maneira.
O que caracteriza fundamentalmente esta forma é o hiato entre o fora
e o dentro. Sua impermeabilidade está estabelecida no juízo de que este mundo
criado pela fantasia, pela imaginação é potencialmente melhor do que o que realmente
existe. Assim a experiência ficcional é traduzida como fato que, se não ocorre
na experiência, e assim provoca frustação, é porque o outro, co-protagonista
dessa estória, não foi o escolhido adequadamente para vivenciar e experimentar
esse papel.
A impermeabilidade desenvolve-se em uma flutuação entre a frustração
e a esperança. Encontrar o personagem certo para a estória a ser repetida na
vida.
Spinoza vai relacionar a esperança com o medo, dizendo que
não há um sem o outro.
Il suit de ces définitions quil ny a pas dEspoir
sans Crainte ni de Crainte sans Espoir. En effet, celui qui este en suspens
dans lEspoir et incertain quant à lissue dun événement, est supposé emaginer
quelque chose qui exclut lexistence dun événement futur; dans cette mesure
il est attristé (par la Prop. 19) et par conséquent, pendant quil est suspendu
à lEspoir, il craint que lévénement ne se produise pas. Celui Qui, au contraire,
est dans la Crainte, cest-à-dire incertain quant à lavenir dune chose quil
hait, imagine aussi quelque cause qui exclut lexistence de cette chose; et
ainsi, dans cette mesure, il se réjouit (par la Prop. 20), et il par là un Espoir
que lévénement ne se produise pas.[23]
O medo de ser frustado e a esperança caminham juntos. A impermeabilidade
traduz-se na incerteza de que o sujeito possa encontrar o personagem adequado
para co-protagonizar a estória, mas essa incerteza nunca se volta para a estória
idealizada que constituiu.
Assim sendo aproxima-se do autismo, que segundo a definição
de Tustin (1975)[24]é :
Traduzido literalmente, autismo significa viver em termos
do próprio eu (self), o que está de acordo com o fato, por demais constatado,
de que uma criança em estado de autismo parece centrada em si mesma, já que
pouco reage ou responde ao mundo que a rodeia. Mas, paradoxalmente, uma criança
nesse estado não se dá conta, em verdade, do que ser um eu (self) significa.[25]
Ou, nas palavras de Freud, em uma citação feita por Tustin:
O ovo de um pássaro, contendo em si toda a matéria nutritiva
necessária ao novo ser... é um exemplo claro de um sistema psíquico fechado
aos estímulos do mundo externo e capaz de satisfazer, autisticamente, até suas
necessidades alimentares.[26]
Denominamos esta forma de impermeabilidade de autismo socialmente
aceito por conta, em primeiro lugar, dessa característica de considerar-se
inteiramente auto-suficiente, por isso o termo autismo; em segundo lugar por
utilizar-se para tal de apoio em instrumentos tecnológicos que estão disponíveis
socialmente, o que lhe confere uma aceitabilidade social[27].
A aceitação social não se reduz ao uso exclusivo desses instrumentos tecnológicos;
mas, ao usá-los desta maneira, não provocam escândalos nem se sofre rejeição
social.
A cultura do individualismo permite, e até estimula, que
o sujeito alcance o prazer da maneira que lhe convier. Esta impermeabilidade
faz com que o sujeito tenha com o outro uma relação em que o escolhe para
o papel de co-protagonista de sua estória, ou que em uma expressão solitária
encontre este co-protagonista de uma maneira impessoal. A oferta estabelecida
pela mídia desses co-protagonistas é imensa, excessiva e abundante.
O virtual pode servir a esta maneira de impermeabilidade nas suas diferentes
formas. O virtual é uma estratégia do indivíduo e por isso solitária. Ao sujeito
que tem esta atitude de impermeabilidade o virtual fornece, por ser uma estratégia
individual uma pseudo-coerência para a potencialização dessa atitude.
No entanto, esta atitude não está no virtual e tampouco é gerada por
ele. Essa atitude encontra-se no âmbito do atual, provocada por diversos e múltiplos
agentes e forças que procuramos reconhecer. A tensão entre o virtual e o atual,
ou seja, entre o virtual que é uma estratégia do indivíduo e essa atitude, que
se encontra no atual, faz com que o virtual seja um potencializador dessa atitude,
fazendo-a permanecer e crescer, ou seja, ser eficaz.
O efeito totalizante vincula-se fundamentalmente à idéia de que a ausência
de unidade do sujeito deve ser, de alguma maneira, superada. Porque provoca
um desconforto no indivíduo, em um contínuo atraiçoamento de sua previsão de
si mesmo, o efeito totalizante busca uma totalidade interna, subjetiva, para
superar o desconforto que sente e percebe.
Como o outro é um denunciador dessa não unidade, o indivíduo busca
também a totalização para evitar que esta ausência de unidade aconteça. As atitudes
autoritárias e as de impermeabilidade são possibilidades deste acontecimento.
O virtual vem assim como um elemento potencializador dessa atitude.
Porque é uma estratégia para a criatividade que não tem, em si, um componente
ético, porque possibilita a reconstrução de sua história e a da humanidade,
conferindo um sentido àquela atitude; e porque permite, pela sua artificialidade
dessubstanciada, lidar de uma ou outra maneira com a sensação de mal-estar.
Deleuze (1974)[28], em comentários sobre o Robson
Crusoé de Michel Tournier, a partir de uma pergunta especulativa sobre o que
ocorreria se faltasse outrem na estrutura do mundo, diz que:
Só reina a brutal oposição do sol e da terra,
de uma luz insustentável e de um abismo escuro: a lei sumária de tudo ou nada.
O sabido e o não sabido, o percebido e o não percebido enfrentam-se em termos
absolutos, num combate sem nuanças. (...) Mundo cru e negro, sem potencialidades
nem virtualidades: é a categoria do possível que se desmoronou.[29]
Para Deleuze, Outrem é que permite o possível. Não se reduz nem a um
objeto particular, nem a um outro sujeito. Outrem estrutura o campo perceptivo
e permite que ele seja organizado, assegurando as margens e as transições
no mundo.
Mas outrem não é nenhum objeto no campo de
minha percepção, nem um sujeito que me percebe: é, em primeiro lugar, uma estrutura
do campo perceptivo, sem a qual este campo no seu conjunto não funcionaria como
o faz. Que esta estrutura seja efetuada por personagens reais, por sujeitos
variáveis, eu para vós e vós para mim, não impede que ela preexista como condição
de organização em geral ao termos que a atualizam em cada campo perceptivo organizado
o vosso, o meu. Assim, Outrem a priori como estrutura absoluta, funda a
relatividade de outrem como termos efetuando a estrutura em cada campo. Mas
qual é esta estrutura? É a do possível.[30]
Se Outrem é esta estrutura que constitui o campo de percepção e o possível,
é outrem que confere expressão a ele.
o mundo possível expresso existe perfeitamente, mas não
existe (atualmente) fora do que o exprime. (...) Quando apreendo, por minha
vez e por conta própria, a realidade do que outrem exprimia, não faço nada mais
do que explicar outrem, desenvolver e realizar o mundo possível correspondente.
É verdade que outrem já dá uma certa realidade aos possíveis que envolve: falando,
precisamente. Outrem é a existência do possível envolvido.[31]
A estrutura Outrem, pacifica a profundidade do homem, permitindo-a
de ser vivida.
Neurose e psicose são a aventura da profundidade.
A estrutura Outrem organiza a profundidade e pacifica-a, torna-a possível de
ser vivida.[32]
Pois, se Outrem exprime um mundo possível, este existe em nosso mundo,
constituído em acordo com a ordem do real e do tempo seqüencial.
Pois outrem, no seu funcionamento normal,
exprime um mundo possível; mas este possível existe em nosso mundo e, se não
é desenvolvido ou realizado sem mudar a qualidade de nosso mundo, ele o é, pelo
menos, segundo leis que constituem a ordem do real em geral e a sucessão do
tempo.[33]
Deleuze, considerando a perversão no sentido psicanalítico, especialmente
como foi formulada por Lacan, diz que um mundo sem Outrem é um mundo sem possíveis
e que a perversão é um assassinato dos possíveis.
O mundo do perverso é um mundo sem outrem,
logo, um mundo sem possível. Outrem é o que possibilita. O mundo perverso é
um mundo em que a categoria do necessário substitui completamente a do possível:
estranho spinozismo em que falta o oxigênio, em proveito de uma energia mais
elementar e de um ar rarefeito (o Céu-Necessidade). Toda perversão é um outremcídio,
um altruícido e, por conseguinte, um assassínio dos possíveis. Mas o altruicídio
não é cometido pelo comportamento perverso, mas sim suposto na estrutura perversa.[34]
A Internet esse intercruzamento entre tecnologia e comunicação
é talvez a ferramenta mais moderna da vida contemporânea. E o desenvolvimento,
ao mesmo tempo que destrói as tradições e as bases que fazem da vida um local
seguro, abre um mundo extremamente amplo e difícil de ser vivido. Tudo é efêmero,
tem pouca duração e torna-se obsoleto em pouquíssimo tempo. Essa característica
do mundo virtual confunde-se extremamente com o mundo real. Muitas vezes chegamos
ao paradoxo no qual a proliferação de meios de encurtamento das distâncias resulta
em extremos de isolamento, desterritorialização, encapsulamento, frustação de
desejos psico-orgânicos e incomunicação. É a objetificação maquínico-desejante
do biopoder capitalista.
Após tantos séculos de repressão, a possibilidade de experimentar
práticas alternativas (marginalizadas) sem correr riscos físicos (violência,
Doenças sexualmente transmissíveis, etc.) ou sociais (preconceito ou psiquiatrização
de supostas perversões sexuais) deveria ser um estimulante à prática da fantasia,
ao desencapsulamento e ao autoconhecimento. O chat se constituiria como
espaço para o enriquecimento do espectro de possibilidades interacionais. No
entanto, o que tem maior validade é a relação de cada um com a máscara que incorpora,
com o eu. O relacionamento a distância tenta substituir o outro simulando a
presença deste. Até mesmo a não-existência de riscos dá-se justamente pela
inexistência do outro, do limite da corporeidade. Sendo assim,
O corpo precisa ser reposicionado, do reino psíquico, do
biológico para a ciberzona da interface e da extensão dos limites genéticos
para a extrusão eletrônica. As estratégias rumo ao pós-humano tratam mais do
apagamento do que da afirmação uma obsessão que não é mais com o eu, mas uma
análise da estrutura. Noções da evolução das espécies e distinção de gênero
são remapeadas e reconfiguradas em hibridizações alternadas do homem-máquina.
Distinções metafísicas ultrapassadas de alma-corpo ou mente-cérebro são superadas
pela preocupação com a divisão corpo-espécie, à medida que o corpo é reprojetado
diversificando em forma e funções. Corpos cyborg não são simplesmente conectados
com fios e extensões, mas são também ampliados com componentes implantados.
A tecnologia invasiva elimina a pele como um lugar significativo, uma interface
adequada ou uma barreira entre o espaço público e o aparelho fisiológico. A
importância do ciber pode muito bem residir no ato de o corpo trocar sua pele.
E como os humanos cada vez mais operam com corpos substitutos em espaços remotos,
eles funcionam com imagens cada vez mais inteligentes e interativas. A possibilidade
de imagens autônomas gera um resultado inesperado da simbiose do homem-máquina.
O pós-humano pode muito bem ser manifestado na sua forma inteligente de imagens
autônomas.[35]
Outro ponto que vale a pena ressaltar do mesmo autor é quando ele analisa
o que chama de psico/ciber:
O PSICORPO não é nem resistente, nem confiável. Seu código
genético produz um corpo que muitas vezes funciona mal e se cansa rapidamente,
possibilitando apenas parâmetros tênues de sobrevivência e limitando sua longevidade.
Sua química carbônica GERA EMOÇÕES SUPERADAS. O Psicorpo é esquizofrênico. O
CIBERCORPO não é um sujeito, mas um objeto não um objeto de inveja, mas um
objeto para a engenharia. O Cibercorpo fica eriçado com eletrodos e antenas,
ampliando suas capacidades e projetando sua presença para locais remotos e para
dentro de espaços virtuais. O Cibercorpo torna-se um sistema estendido não
para meramente sustentar um eu, mas para intensificar operações e iniciar sistemas
inteligentes alternados.[36]
Podemos olhar para a Rede enquanto um processo complexo e sempre inacabado
entre formas e conteúdos, reflexo dos impactos das novas tecnologias na cultura
e na comunicação contemporâneas. um processo complexo e sempre inacabado entre
formas e conteúdos, reflexo dos impactos das novas tecnologias na cultura e
na comunicação contemporâneas.
As formas ( institucionais , simbólicas, técnicas ) de uma
cultura visam enquadrar a vida, regulá-la, controlá-la. Para o sociólogo alemão
G. Simmel, a vida se impõe sempre contra os limites da forma, reconstituindo-se
num processo contínuo. A vida necessita da forma para existir, da mesma maneira
que deve expandir-se para além das formas para ex-istir[37]
E nesse embate, nesse conflito entre formas e conteúdos que está o trágico da
sociedade.[38] A socialidade contemporânea vai se estabelecer
então como um politeísmo de valores onde nós atuamos desempenhando papéis,
produzindo máscaras de nós mesmos, agindo numa verdadeira teatralidade quotidiana[39].
A socialidade atual vai se estabelecer então como um politeísmo
de valores onde nós atuamos desempenhando papéis, produzindo máscaras de nós
mesmos, agindo numa verdadeira teatralidade quotidiana[40].
A socialidade é essa multiplicidade de experiências coletivas baseadas não na
homogeneização ou na institucionalização e racionalização da vida, mas no ambiente
imaginário, passional, erótico e imprevisível do dia a dia.
A socialidade é essa multiplicidade de experiências coletivas baseadas
não na homogeneização ou na institucionalização e racionalização da vida, mas
no ambiente imaginário, passional, erótico e imprevisível do dia-a-dia; onde
o Outro acontece no panvirtualismo.
[1] Anthony Giddens, A
transformação da intimidade: sexualidade, amor e erotismo nas sociedades modernas,
São Paulo, Unesp, 1993, p.152.
[2] Ciro Marcondes Filho, Cenários do novo mundo, São Paulo, Edições
NTC, 1998, p.47.
[3] Spinoza, B. Éthique, Paris, Presses Universitaires de France,
1993, p.267.
[4] Spinoza, B. Éthique, op.cit. pág. 287.
[5] Spinoza, B. Éthique, op. cit. p. 213.
[6] O folhetim: O Amante de Lady Chaterley é o exemplo expressivo
dessas manifestações.
[7] Spinoza, B. Éthique, op.cit. p. 211.
[8] Tustin, Frances. Autismo e Psicose Infantil, Rio de Janeiro,
Imago Editora, 1975.
[9] Tustin, Frances. Autismo e Psicose Infantil, op. cit. p. 9.
[10] Tustin, Frances. Autismo e Psicose Infantil, op.cit. p.43.
[11] De maneira diferente do que ocorre com o psicótico.
[12] Deleuze, G. Lógica do Sentido, São Paulo, Perspectiva, 1974.
[13] Deleuze, G. Michel Tournier e o Mundo sem Outrem. In: Lógica do
Sentido, op. cit. pgs. 315-316.
[14] Deleuze, G. Michel Tournier e o Mundo sem Outrem. In: Lógica do
Sentido, op. cit. pgs. 316-317.
[15] Deleuze, G. Michel Tournier e o Mundo sem Outrem. In: Lógica do
Sentido, op. cit. pgs. 317.
[16] Deleuze, G. Michel Tournier e o Mundo sem Outrem. In: Lógica do
Sentido, op. cit. p. 324.
[17] Deleuze, G. Michel Tournier e o Mundo sem Outrem. In: Lógica do
Sentido, op. cit. p. 326.
[18] Deleuze, G. Michel Tournier e o Mundo sem Outrem. In: Lógica do
Sentido, op. cit. p. 329.
[19] Spinoza, B. Éthique, Paris, Presses Universitaires de France,
1993, p.267.
[20] Spinoza, B. Éthique, op.cit. pág. 287.
[21] Spinoza, B. Éthique, op. cit. p. 213.
[22] O folhetim: O Amante de Lady Chaterley é o exemplo expressivo
dessas manifestações.
[23] Spinoza, B. Éthique, op.cit. p. 211.
[24] Tustin, Frances. Autismo e Psicose Infantil, Rio de Janeiro,
Imago Editora, 1975.
[25] Tustin, Frances. Autismo e Psicose Infantil, op. cit. p. 9.
[26] Tustin, Frances. Autismo e Psicose Infantil, op.cit. p.43.
[27] De maneira diferente do que ocorre com o psicótico.
[28] Deleuze, G. Lógica do Sentido, São Paulo, Perspectiva, 1974.
[29] Deleuze, G. Michel Tournier e o Mundo sem Outrem. In: Lógica do
Sentido, op. cit. pgs. 315-316.
[30] Deleuze, G. Michel Tournier e o Mundo sem Outrem. In: Lógica do
Sentido, op. cit. pgs. 316-317.
[31] Deleuze, G. Michel Tournier e o Mundo sem Outrem. In: Lógica do
Sentido, op. cit. pgs. 317.
[32] Deleuze, G. Michel Tournier e o Mundo sem Outrem. In: Lógica do
Sentido, op. cit. p. 324.
[33] Deleuze, G. Michel Tournier e o Mundo sem Outrem. In: Lógica do
Sentido, op. cit. p. 326.
[34] Deleuze, G. Michel Tournier e o Mundo sem Outrem. In: Lógica do
Sentido, op. cit. p. 329.
[35] Stelarc, 4 das estratégias psicológicas às ciberestratégias: a protética,
a robótica e a existência remota, in A arte no século XXI: A humanização
das tecnologias, p.52.
[36] Stelarc. Op. cit. p. 59.
[37] A forma seria uma matrizque preside o nascimento e a morte de diversos
elementos da vida em sociedade. A forma seria então formante, não só rigidez
(invólucro) mas princípio ativo da vida. As formas sociais são o invólucro
dont cette vie shabille, comme la manière nécessairte sans lequelle
la vie ne peut entrer dans la phénomène, sans laquelle elle ne peut pas être
vie spirituelle. Simmel, G., Philosophie de La Modernité., Paris:
Payot, 1990., p. 229.
[38] Ver Simmel, G., La Tragédie de la Culture, Paris: Rivages,
1988.
[39] Sobre a teatralidade quotidiana ver Goffman, E., La Mise en Scène
de la Vie Quotidienne, Paris, Minuit, 1973.
[40] Sobre a teatralidade quotidiana ver Goffman, E., La Mise en Scène
de la Vie Quotidienne, Paris, Minuit, 1973.
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