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Globalização e Turismo

Por Bayard Boiteux e Maurício Werner

Estamos nos aproximando cada vez mais de um mundo sem fronteiras, vide a entrada de turistas estrangeiros na Europa Ocidental, cujo controle de passaporte só ocorre no portão de entrada. A própria OMT-Organização Mundial do Turismo tem sugerido a supressão do visto, mecanismo utilizado por muitos países, de forma bilateral, para controle de qualidade do consumidor turístico ou ainda para a geração de receitas. Pesquisas demonstram que o visto afugenta fluxos turísticos, além de gerar controvérsias na sua concessão. O mundo globalizado deve permitir a circulação de turistas, sem carimbos de autorização, em seus passaportes. Este é o caminho da democracia turística.

É interessante como a democracia turística e a globalização criaram parâmetros de segurança internacional para o consumidor. Referimo-nos aqui a existência de empreendimentos, como o Hard Rock Café ou o MacDonald que tem os mesmos formatos no mundo. Traduzem-se como pontos de referência em terras longínquas e mudaram comportamentos ou até padrões culturais.

Um exemplo concreto é o Japão. País, que há duas décadas aproximadamente lançou um programa para incentivar seus cidadãos, a viajarem para o exterior, inclusive dotando os países receptores de infraestrutura para receber seus nacionais, que tinham inúmeras dificuldades ao viajar, vê-se hoje revolucionado. Anteriormente os grupos japoneses que começaram a viajar andavam somente em grupos, com roupas e cabelos padronizados, criando um perfil já sociologicamente estudado. Hoje, o japonês, viajando por conta própria, de calça Calvin Klein, cabelos pintados e dançando Rock nas ruas é um produto do mundo globalizado.

Outro case interessante é a Turquia, país muçulmano mas que nas grandes cidades, perdeu o caráter ortodoxo da religião e revolucionou o papel da mulher, inclusive na política. Os turistas se surpreendem ao encontrar uma Turquia Islâmica mas tendo se adaptado à modernidade que devem ser levadas às religiões.

No entanto, temos que ficar muito atentos à globalização, para que não se percam as características culturais dos produtos turísticos, que fazem o seu diferencial. Hoje, turismo é uma vivência cultural, que se deixa seduzir pela diversidade. Ele é o marco principal do produto, que gera o deslocamento de turistas.

A globalização não pode e nem deve permitir que este mundo sem fronteiras, perca a sua língua, a sua moeda e o seu modus vivendi. Caminhemos para a globalização mas com identidade forte cultural...

Bayard Boiteux é Diretor da Escola de Turismo da UniverCidade e Professor de MBA em Turismo da FGV.
boiteux@openlink.com.br
Maurício Werner é Presidente da Planet Work e Superintendente Executivo da AFATUR-RJ.

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